Vestidos, bebês e super-heróis

Os passeios de mãe e filha normalmente incluíam visitas a todas as lojinhas do bairro, dessas que ainda fazem vendas parceladas no carnê e têm vendedoras que conhecem toda a família das clientes. Conhecem tanto que todas já sabem sobre a gravidez, lembrando inclusive o nome da criança – o atendimento pra lá de personalizado é um grande diferencial competitivo para este tipo de comércio.

As duas entram em uma das maiores lojas do bairro, caminhando sem compromisso entre araras de roupas e bancadas cobertas por pilhas de produtos baratos. A vendedora as recebe com abraços, conduzindo as duas na direção de uma das sessões mais lucrativas da loja – a de bebês e recém-nascidos. Logo, dezenas de vestidos cor de rosa são tirados das embalagens e expostas sobre o balcão para apreciação das clientes.

A variedade de itens que surgem das prateleiras é impressionante: sapatinhos minúsculos, almofadas para amamentação, gorros, babadores, mantas, pijamas, mais vestidos… é nesse tipo de loja que você aprende que pagãozinho não é necessariamente uma criança que ainda não foi batizada, e que Moisés não só abriu o Mar Vermelho como também transporta bebês sonolentos por aí.

Denise se interessa por uma banca com bodies para bebês com ótimos preços. A vendedora observa à distância, enquanto exibe vestidos rodados e cheios de renda para a vovó. Na banca, havia roupinhas com estampas de heróis e estava na parte da loja destinada aos meninos. A futura mamãe erguia as pecinhas de roupa diante dos olhos, imaginando um bebê gorducho e risonho a preencher cada uma delas. Foi quando a vendedora resolveu intervir, incomodada pela falta de foco da grávida:

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– A banca de meninas é pra cá!

– Sim, obrigada. – Denise ignorou a intervenção e escolheu três peças: Batman, Mulher Maravilha e Homem-Aranha.

As três continuaram a escolher presentes para Olívia por bastante tempo até que, eventualmente, resolveram finalizar as compras.  A vendedora resolveu perguntar, curiosa por causa das roupinhas escolhidas na sessão masculina.

– Essas aqui são de presente para alguém?

– Não, são para Olívia mesmo.

– Mas são roupinhas de menino!

Um silêncio constrangedor pairou no ar por alguns segundos.

– Quero as três, por favor.

Sem questionar mais, a vendedora concordou e concluiu a venda – afinal de contas, a comissão estava garantida, então o problema não era dela. Mas fez isso a contragosto, estranhando muito a ideia de que alguém possa comprar roupinhas masculinas para uma menina.

Foi divertido pensar na moça da loja, confusa com gente que veste meninas com roupinhas de heróis masculinos. Imagine se ela descobre!

Dona. Se deixar, eu visto minha filha até de Chewbacca, ok? Ah, muito obrigado pela promoção de roupinhas por R$9,99. Forte abraço!

Meu nome é Rodrigo, sou marido da Denise e futuro pai da Olívia. Apareço por aqui de vez em quando, falando sobre algumas experiências de um papai de primeira viagem e suas aventuras ao longo da gestação.

Até a próxima!

 

Vejo o mundo um pouco diferente todo dia e piro na comunicação entre as pessoas. Futuro pai e bicão no blog Casa de Maria!

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